quarta-feira, 27 de março de 2013

Cem dias


O frio abraço da noite vem me envolver
Longe, muito longe, de ser o braço que queria sentir
Passos demais para apenas correr onde quero estar
Distante mesmo de poder sonhar em tocar

Viver sem saber e apenas esperar
Mil passos para percorrer e talvez não alcançar
Como ver a luz fugir para longe de si
E nada a fazer, apenas observar e sussurrar

Sentir-se criança, imóvel e inerte, à mercê dos dias
Não era assim que me diziam que ainda podia doer
Aquilo que corre nas minhas veias e que não me deixariam sofrer
Doses que me aplacariam as lágrimas e as secariam

Mas aquilo que está marcado a ferro na alma não se vai
A não se que se arranquem o pedaço e te deixem vazia, quebrada

De tantas vezes quebrada, jogada e maltratada
A ponto de não querer mais nada, nem amor

Porém, a noite passa, sempre passa
E o novo dia vem trazer um novo alento
Aquele calor que se lembra poder ainda ter dentro do peito
O que estava guardando para quando a hora chegasse

E mais um dia são mais mil passos
Sem parar de caminhar para onde quero chegar
Com firmeza que me faltava e agora presente está
Só mais um dia que se passou, menos um dia para esperar

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