sexta-feira, 22 de julho de 2011

Antes das 9

Ela acordava sempre com vontade de matar alguém.
Antes de realmente acordar, coisa que se dava lá pelas 9 da manhã, ela sentia-se capaz de vencer onde Napoleão e Hitler tinham falhado; conquistar toda a europa.
Seu filho já sabia e pouco falava com sua mãe a caminho da escola. Ele tinha medo que ela lembrasse de alguma travessura e rezolvesse dar o castigo tardio. Saber calar é tão bom quanto saber falar.
Para resolver tudo, ela saía com o fone de ouvido e no mp3 apenas uma seleção especial de músicas. Uma vez, quando sem querer uma música apareceu sem que ela tivesse escolhido, vixi, o pequeno aparelho foi ao chão. Agora até o eletrônico sabe o que é melhor pra ele.
Então, magicamente às 9 horas surge a mais doce e gentil das atendentes, a maior vendedora da loja. E aos domingos tudo que o filho e o marido precisam fazer, é muito silêncio antes das 9.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Novidades para a Patre Primordium


Depois de um bom tempo parados, eu e o Fred estamos preparando muitas novidades. Tem exposição, site novo, quadrinhos online.
Entre essas novidades, temos uma história especial para um álbum (tudo meio vago e sigiloso rapaziada :P).  Mas para não deixar todo mundo sem saber de nada, vão aí alguns testes de personagens para essa história especial, espero que todos gostem.



terça-feira, 19 de julho de 2011

Uma boa história

A Humana Perfeita - Arte: Mario Cau

O que faz uma história em quadrinhos realmente boa?
Aliás, a pergunta deve ser outra, o que faz uma história ser realmente boa?
Quem já se propôs a ser um contador de histórias, seja de que área for, precisa se fazer essa pergunta. Eu tento sempre responder a isso desde que comecei a escrever. Penso nisso quando pego uma história que faz muito sucesso e todos consideram boa, best-sellers. Penso nisso quando leio algo que a academia chama de clássico.
Mas no final do dia o que eu considero uma boa história é aquela que me toca de alguma forma. Uma comédia que me faça rir, um drama que me faça chorar e assim por diante. Isso não torna a qualidade de história relativa, afinal eu posso reconhecer uma história bem contada mesmo que ela não mexa comigo. Existe técnica, existe um trabalho bem feito.
Porém, as histórias que nos tocam são aquelas que vamos lembrar por um bom tempo e nos influenciar. Pode até mesmo não ser aquela que todo mundo gosta, ou mesmo uma que você sabe que peca em algum aspecto, mas não importa, a história falou com você, te contou algo. E não é isso que todos queremos como artistas? E o sonho é fazer uma obra prima, que alie perfeitamente história, técnica, estética e relevância!
Agora sim, as histórias em quadrinhos. Que ao contrário de apenas um livro, ou apenas um quadro, uma HQ precisa de um equilíbrio especial entre o que está escrito e o que está desenhado. Não basta pensar no que dizer, mas muito do que mostrar, qual traço cabe melhor para aquela história em especial.
Essa história especial precisa manter o leitor com os olhos grudados na página e sempre com vontade de virar a próxima. Isso não é fácil e precisa de técnica, mas claro, precisa mais ainda de sentimento.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

“Eu te amo”

Ela estava olhando para aquele papel há duas aulas e estava pensando no que faria.
Não, ela não tinha recebido aquela declaração. Nem mesmo sabia se a entregaria, era arriscado demais. Os dois eram amigos. Certo, o professor estava saindo, era o início do intervalo, ele ainda não tinha levantado da carteira.
Ela fechou os olhos, respirou fundo, pegou o papel, o dobrou e levantou…
Apenas para ver “a outra” conversando com ele toda animada.
Ele também, como sempre.

- Queria falar comigo?
- Não, não… bobagem.

Naquele momento

Aquele não era o dia dela.

Tudo parecia fora de lugar, indo na direção errada. Sentia vontade de simplesmente sumir, desaparecer e nunca mais voltar. Filhos, contas, trabalho, marido… tudo resolveu tirar uma com a sua cara.

E naquele momento até o carrinho do supermercado tinha batido no seu pé, e não é por nada, mas estava doendo muito!

Mas uma música começou a tocar no alto-falante.

Não era uma música qualquer, era aquela música. Sabe aquela que ela tinha vergonha de dizer que gostava na adolescencência? Brega, mas que em segredo ela ouvia com o fone de ouvido. Que juraria que era da sua mãe se os amigos encontrassem, mas que guardava o cd.

Ela se pegou pensando em como os adolescentes são tolos, se escondendo de coisas bobas para auto afirmação, perdendo tempo com bobagens, exatamente… exatamente como ela estava fazendo há pouco tempo atrás.

Então olhou em volta, viu outras mulheres como ela de cabeça baixa, olhando a tabela nutricional dos alimentos que compraria e com olhares perdidos e resolveu dançar.

Agora sem se preocupar do que os outros iam falar, sem medo de ser expulsa nem do supermercado.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Cosplay


por Christian Gois e Ana Recalde

Cabelos vermelhos

Fazia pouco mais de um ano desde que ela tinha falado aquilo.
Aquela coisa que era justa na época, que ela achava correto, que ela sentia… mas que no final, não era aquilo que ele queria ouvir.
Pouco mais de um ano desde que ele decidiu se vingar dela de todas as maneiras mais sórdidas que conhecia. Desde mentir a trair, humilhar e destruir . Ela se olhava agora no espelho e não via nenhum fogo, daquele que ardia quando ela disse o que disse.
Ela queria algo maior, melhor para eles. Mas não tinha o direito de exigir e falar o que pensava. Que mulher tola! Pensar que poderia dizer o que sentia…
E lá estava ela, no mesmo lugar, ao lado dele, mas diferente. Agora ela não tinha mais paixão por ela mesma, não tinha mais vontade de exigir ou querer coisas, ou pior, achava que não tinha o direito.
Sonhava no dia que poderia ter esse direito novamente, de poder exigir as coisas que ela achava que eram corretas… mas até lá, queria apenas pintar seu cabelo de vermelho. Queria ver, nem que fosse no espelho, que algo ainda ardia dentro dela.
Mas… será que ele ia deixar?